Um estúdio que desenha o caminho antes da tela.
Tela bonita é consequência. O que decide o produto é a ordem em que as coisas aparecem para quem está com pressa.
O estúdio começou dentro de uma empresa de logística, refazendo um sistema que tinha catorze telas e nenhuma pessoa capaz de explicar em que ordem elas apareciam.
A saída foi desenhar o percurso em papel de embrulho, na parede do refeitório, com o pessoal do pátio olhando. Em duas horas caíram cinco telas e apareceram duas que faltavam.
Desde então todo projeto começa por essa folha. Ela é feia, cabe numa mesa e é a única peça do trabalho que todo mundo da empresa consegue ler sem tradução.
O protótipo entrou depois, quando percebemos que a discussão sobre botão acaba no instante em que alguém segura o produto no próprio celular.

A frase primeiro
Produto que não cabe numa frase não cabe numa tela inicial.
Caminho, depois pixel
A ordem das telas decide mais do que a cor de qualquer botão.
Estado é tela
Vazio, erro e espera merecem desenho, não improviso na programação.
Toque antes do código
O protótipo na mão de três pessoas evita a reunião de dez.
Cinco passos entre a ideia do produto e o protótipo na mão de quem usa
A ordem importa mais do que a ferramenta. Quase todo produto que chega aqui já tem telas desenhadas e nenhuma frase escrita sobre o que a pessoa veio fazer nele — e é essa frase que sustenta o resto.
Quem entra e para quê
Escrevemos em uma frase o que cada tipo de pessoa vem resolver no produto. Quando essa frase não existe, o desenho vira um menu com muitas portas e nenhuma direção.
O percurso em uma folha
Entrada, decisão, confirmação e saída cabem numa folha só. Mudar a ordem enquanto é traço custa uma borracha; mudar depois custa semana de quem programa.
Telas em cinza
Blocos, hierarquia e texto verdadeiro antes de qualquer cor. É aí que aparece o campo que ninguém preenche e o botão que ninguém acha.
Estado por estado
Lista vazia, dado carregando, erro do servidor, primeiro acesso e permissão negada. São cinco telas por função, e não uma decidida às pressas na hora de programar.
Protótipo que responde ao toque
As telas viram um arquivo navegável no aparelho de quem vai usar. A primeira pessoa a tocar no produto não precisa ser um cliente.
Quem já viu o próprio produto desenhado antes de existir
Cada relato abaixo foi lido e liberado por quem o escreveu.
Desenharam em cinza primeiro e eu reclamei. Na terceira reunião entendi que a cor estava escondendo a bagunça.
A entrega veio comentada tela a tela. O rapaz que programa parou de me ligar para perguntar o que era cada campo.
Contei o que o cliente vem fazer no aplicativo em uma frase. Metade das telas que eu queria não servia para essa frase.
Conte em uma frase o que a pessoa vem fazer no seu produto
Se a frase sair torta, o desenho já tem por onde começar. A conversa de partida dura uma hora e meia e termina com a folha de limites na sua mão.